Visitar a Cidade Velha, na Ilha de Santiago, é viajar ao coração de uma história profunda e complexa, marcada pela chegada dos primeiros colonos europeus à África Ocidental. Como Património Mundial da UNESCO, esta antiga cidade é um verdadeiro museu a céu aberto, onde cada esquina e cada pedra contam segredos de séculos passados.
Conhecida como o berço da cultura cabo-verdiana, esta pequena cidade, a cerca de 20 minutos da capital Praia, foi a primeira a ser fundada pelos europeus nos trópicos e desempenhou um papel central no período das descobertas marítimas. Hoje, é um dos lugares mais emblemáticos do arquipélago, onde se entrelaçam cultura, história e tradição.
Neste artigo, vai conhecer melhor a Cidade Velha, através de um roteiro que inclui os principais locais a visitar, perfeito para descobrir a história de Cabo Verde ao seu próprio ritmo.
A primeira cidade colonial da África
Fundada no século XV pelos portugueses, a então Ribeira Grande, como era chamada na época, foi estabelecida como um dos primeiros pontos de apoio no Atlântico para a expansão das rotas comerciais. O local foi escolhido pela sua localização estratégica, que facilitava as trocas entre a Europa, África e, posteriormente, o continente americano.
Rapidamente, tornou-se um centro de comércio de escravos e outros bens. Além do comércio, a cidade era um local importante para a reparação das embarcações, o que contribuiu para a sua evolução, mas também atraiu ataques piratas.
Agora que já conhece um pouco mais da Cidade Velha, prepare-se para ir mais a fundo na história, ao visitar os seus principais pontos de interesse.
O roteiro pode durar todo o dia ou apenas uma manhã ou tarde, dependendo do que pretende fazer. Se quiser demorar-se nos monumentos, interagir com as pessoas e apreciar as paisagens, reserve um dia inteiro. Mas se a sua agenda estiver apertada, meio dia é o suficiente.
Mapa da Cidade Velha
Rua da Banana: a primeira rua pavimentada dos trópicos
É a rua mais famosa de Cabo Verde por ter sido a primeira a ser pavimentada nos trópicos, a 31 de janeiro de 1533. Com as suas casas de pedra e telhados de palha, a Rua da Banana é um regresso ao passado.
As construções desta rua foram restauradas para preservar a sua arquitetura original, criando uma atmosfera autêntica e pitoresca. Cada detalhe nas fachadas, portas e janelas conta histórias dos primeiros colonos e das influências europeias trazidas para o arquipélago.
O cenário torna-se ainda mais cativante com as crianças a brincar e as mulheres a amanhar o peixe em frente às suas casas.
Rua da Banana
A Cidade Velha e a fé imposta pelos colonizadores
Na Cidade Velha, a fé dos colonos, materializada em igrejas e conventos, permanece presente, ainda que seja sobretudo através de ruínas.
Igreja da Nossa Senhora do Rosário
O único edifício que se mantém bem preservado é o da Igreja da Nossa Senhora do Rosário, a primeira igreja colonial construída na África subsaariana em 1496, e onde os escravos eram batizados.
Este edifício gótico foi ampliado a partir de uma capela ao estilo manuelino, sobreviveu aos séculos e permanece como um marco do passado religioso.
Igreja da Nossa Senhora do Rosário
Convento de São Francisco
Outro importante centro de evangelização, que reforçou a presença da Igreja nas novas terras, foi o Convento de São Francisco (1640). Além da sua função religiosa, o convento foi também um refúgio espiritual para os colonos e símbolo da propagação do cristianismo em Cabo Verde.
Hoje, o que resta do convento são ruínas que ainda guardam vestígios da vida monástica.
Igreja da N. Sra da Conceição e Catedral da Ribeira de Santiago
Em ruínas também se encontra a Igreja da Nossa Senhora da Conceição, uma das mais antigas de Cabo Verde (1466-1470) e a Catedral da Ribeira de Santiago, maior edifício religioso da ilha.
O que restou da catedral, construída por volta do ano de 1556, continua a impressionar os visitantes pela sua escala e importância religiosa na história de Cabo Verde.
Ruínas da Catedral da Ribeira de Santiago
Pelourinho da Cidade Velha: recordar para não repetir
O Pelourinho da Cidade Velha, no centro da praça principal, recorda tempos obscuros, em que os escravos eram punidos publicamente. Outrora a simbolizar a justiça, hoje é a recordação da opressão da era colonial.
O Pelourinho é preservado como um local de memória, um símbolo da luta pela liberdade e pela dignidade humana.
Aqui pode fazer uma paragem nas esplanadas e observar o movimento dos turistas e dos vendedores de rua com o seu artesanato.
Em quase todos os restaurantes, o peixe grelhado faz as honras da casa, não fosse o mar ali tão perto. Mas também há pratos de carne e, claro, a famosa cachupa.
Pelourinho
Forte Real de São Felipe: o guardião da Cidade Velha
Do alto de Achada Forte, o Forte Real de São Felipe, construído em 1587, proporciona uma vista panorâmica impressionante sobre a Cidade Velha e o Oceano Atlântico. E os canhões apontados para o mar lembram os dias em que era preciso defender a cidade dos frequentes ataques de piratas e corsários.
Além dos canhões, o forte preserva outros elementos históricos como as armas de defesa e as celas dos prisioneiros.
Uma sugestão é assistir ao pôr do sol no forte, uma verdadeira maravilha que impressiona pelas paisagens.
Forte Real de São Felipe
Fonte - Fotografia Instituto do Património Cultural
A Cidade Velha espera por si
Se lhe for possível passar o dia na Cidade Velha, aproveite para ver as suas praias e o seu porto, afinal esta foi a entrada do mundo Atlântico em Cabo Verde por muitos anos.
Aproveite também para ir aos restaurantes à beira mar e provar a autêntica cozinha cabo-verdiana, onde pode saborear pratos ricos em tradição e sabor. O pastel de milho e a cachupa são algumas das iguarias que contam a história deste povo.
Visitar a Cidade Velha é uma aula de história ao ar livre. Planeie a sua viagem, a Cidade Velha e a Ilha de Santiago esperam por si.